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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Catedrais anglicanas usam escorregador e minigolfe para atrair fiéis



 Detalhe de uma das obras em relevo no teto da catedral de Norwich: escorregador estimulou visitantes a conhecerem peças como essa. Foto: Fæ/Wikimedia

Medidas buscam trazer um público jovem para as igrejas e reverter um processo contínuo de perda de fiéis.

A queda no número de frequentadores da Igreja Anglicana é incontestável, e para combatê-la duas catedrais tomaram decisões inusitadas, noticiou o site NBC News. Em agosto, um escorregador foi inaugurado na nave da catedral de Norwich, a nordeste de Londres. Outra catedral a sudeste da capital, a de Rochester, inaugurou um campo de minigolfe em suas dependências.
Mesmo sendo a igreja oficial da Inglaterra e a igreja-mãe da Comunhão Anglicana internacional, que tem cerca de 85 milhões de membros em todo o mundo, o anglicanismo tem perdido fiéis no Reino Unido em ritmo acelerado. Um levantamento estatístico conduzido pela tradicional organização National Centre for Social Research verificou que, em 2018, a proporção da população que se identificou como anglicana ou pertencente à Igreja da Inglaterra ou igrejas irmãs na Escócia e no País de Gales caiu de 40% em 1983 para apenas 12%.
Segundo Lorde Carey, ex-arcebispo de Canterbury (cargo de líder do anglicanismo), a Igreja Anglicana está “a uma geração de distância da extinção”.
“Nossa esperança é que isso [o escorregador] traga um público muito diferente para a catedral”, disse a reitora da catedral de Norwich, reverenda Jane Hedges. Ela própria inaugurou o brinquedo, descendo por ele quatro vezes. Esbaforida, complementou: “Quero dizer, olhe ao redor agora, há muitos jovens”.
Estímulo à fé
O escorregador em Norwich fazia parte de um festival de verão chamado “Vendo Diferentemente”, destinado a encorajar as pessoas a não apenas montar a atração, mas também a realizar ali uma série de atividades relacionadas à fé. O brinquedo foi concebido pelo reverendo local Andy Bryant, que desejava encontrar uma forma de atrair visitantes para o teto abobadado esculpido do prédio.
A Catedral de Norwich é adornada com mais de 1.000 desses relevos (chamados bossagens) medievais que exibem histórias da Bíblia. A coleção é a maior desse tipo no mundo. A nave imediatamente acima do escorregador apresenta 255 desses chefes, representando sete episódios do Antigo Testamento e sete do Novo Testamento.
O campo de minigolfe de Rochester também estava inserido em um contexto maior. Ele se baseava em pontes, como parte do que a catedral diz ser um plano para educar os visitantes sobre engenharia. A mensagem se expandia para abranger também a construção de pontes sociais.
As novidades dividiram opiniões. Linda Woodhead, professora e especialista em cultura e religião na Universidade de Lancaster, não gostou do campo de minigolfe: “É tão tensa, essa metáfora. Entendo de onde vem, mas você deve ter cuidado com o que deseja, quais são as consequências de longo prazo de associar a igreja com diversão. Esses edifícios têm um lugar particular culturalmente falando e [tais iniciativas] poderiam minar isso”.
Espaço sagrado
Por seu lado, Jo Rudd, 42 anos, de Stevenage, que visitava sua filha Anna, de 18 anos, moradora de Norwich, amou a ideia do escorregador. “Acho ótimo”, ela disse, observando que a catedral estava repleta de crianças e turistas se acomodavam em esteiras para ver as obras de arte no teto.
Já Maura Merion, aposentada de Londres, desaprovou o brinquedo. “Isso não está certo, há algo em mim que não combina com [o escorregador] em um espaço sagrado”, afirmou.
“Isso vai deixar as pessoas querendo mais e com expectativas diferentes da igreja”, disse Jodie Wong, estudante de Manchester de 26 anos. “Este ano tem o escorregador; o que vem depois?”
No caso de Norwich, um pequeno modelo de dinossauro ao lado da catedral já responde a essa pergunta. No verão de 2020, a nave abrigará o esqueleto do diplodoco “Dippy”, de 18 metros de comprimento, emprestado do Museu de História Natural de Londres.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Pós Graduação e Mestrado em Ciências da Religião

Ciência das Religiões
Pós-Graduação + Mestrado

Vimos apresentar uma parceria interna ao Grupo Lusófona, entre a Faculdade Mário Schenberg (São Paulo, Brasil) e a Universidade Lusófona (Lisboa, Portugal).
Curso de Pós-Graduação realizado no Brasil, com acesso ao curso de Mestrado realizado em Lisboa.
Ver calendário, pormenores e candidatura aqui:

sexta-feira, 26 de julho de 2019

BNCC - Área de Ensino Religioso


Base Nacional Comum Curricular – BNCC determina os pilares da educação básica brasileira. Ela possui 10 competências que precisam ser trabalhadas. E ainda, a BNCC tem cinco áreas de conhecimento, entre elas, a Área de Ensino Religioso.



COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ENSINO RELIGIOSO 
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos.
2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios.
3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão de valor da vida.
4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver.
5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente.
6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz.

ACESSE O DOCUMENTO DA BNCC PARA O ER EM PDF CLICANDO AQUI!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Cresce o Número dos Não Religiosos Entre os Árabes

É o que dizem os resultados do maior e mais profundo estudo sobre a população árabe e a forma como vê o mundo, no Médio Oriente e Norte de África. Na Tunísia, por exemplo, mais de 30% dos inquiridos dizem não ser religiosos.

Mais de 25 mil pessoas foram entrevistadas pela rede de pesquisa Arab Barometer, a pedido do canal BBC News Arabic, em 10 países e ainda nos territórios palestinianos, entre o final de 2018 e a primavera de 2019 – e alguns dos dados agora revelados mostram-se deveras surpreendentes.
Indagados sobre a forma como se sentem em relação a uma série de questões - desde os direitos das mulheres e migração à segurança e sexualidade –, o que mais sobressai é o número crescente de pessoas que, entre o Médio Oriente e o Norte de África, se identifica como não religioso. A alteração de costumes tem sido gradual, mas desde 2013 o valor subiu dos 8% para os 13 por cento. Este aumento é maior nos menores de 30 anos: aí a percentagem de quem se diz não religioso está nos 18 por cento.
Mas a subida é generalizada em boa parte dos países naquela região. Veja-se: Tunísia tinha pouco mais de 10% de não religiosos; hoje, esse valor ultrapassa os 30 por cento. Na Líbia, a base era igual, e atualmente também já está acima dos 20 por cento. E até Marrocos, onde o valor de há cinco anos era irrisório, já tem mais de 10% de não religiosos.
Os dados do estudo agora revelado pela BBC vão assim ao encontro do que já divulgava a Deutsche Welle em 2014. À época, tanto no Egito como em muitos outros países do mundo árabe, cada vez mais pessoas se declaravam sem religião, mesmo sabendo que isso era visto pelos governos como uma ameaça - afinal, a Arábia Saudita, por exemplo, há muito que compara ateus a terroristas.
Os dados que a Universidade do Cairo então apurou apontavam já para perto de 12 por cento de ateus naquele país, mais de 10 milhões de pessoas – e o próprio imã da mesquita na capital, Ahmad al-Tayyib, já chamara a atenção para o facto de que o ateísmo não era mais um fenómeno marginal. “Este afastamento consciente da religião é, cada vez mais, um desafio social”, disse.
É verdade que, na maioria dos países árabes, não é expressamente proibido ser ateu. Mas as leis contra a difamação religiosa deixam margem de manobra para tomar medidas contra essa a prática - e casos desses são constantemente denunciados por movimentos de defesa dos direitos humanos.
Esta é uma das constatações do levantamento sobre como os árabes se sentem em relação a uma série de questões - incluindo direito das mulheres, migração, segurança e sexualidade.

Mais de 25 mil pessoas foram entrevistadas para o estudo - conduzido pela rede de pesquisa Arab Barometer a pedido da BBC News Arabic, serviço árabe da BBC - em 10 países e territórios palestinos entre o fim de 2018 e a primavera de 2019.

Desde 2013, o número de pessoas em toda a região que se identifica como "não religiosa" subiu de 8% para 13%. O aumento é maior entre aqueles que têm menos de 30 anos, entre os quais 18% se identificam como não-religiosos, de acordo com a pesquisa. [Clique na Imagem Abaixo Para Visualizar].

 

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Comunicado da Comunidade Islâmica Portuguesa

Prezados Amigos,


Num tempo que só o "sangue" vende notícias, venho pedir que seja dado algum "tempo de antena" ao comunicado que me chegou e que segue em anexo.

É a posição de uma comunidade islâmica portuguesa sobre os terríveis acontecimentos terroristas no Sri Lanka, posição a que associaram diversas outras comunidades de muçulmanos portugueses.


Em favor do não crescimento dos radicalismos e dos populismos, peço que difundam este importante texto.

Obrigado pela vossa atenção,
Paulo Mendes Pinto


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Aluna será indenizada por ter sido obrigada a rezar


A indenização por danos morais foi de R$ 8 mil pela aluna ser obrigada a rezar e a anotar versículos da Bíblia em sala (Foto: Pixabay)

Uma aluna do 3º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual em Campinas (SP) receberá uma indenização do Estado por danos morais no valor de R$ 8 mil por ter sido obrigada a rezar em sala de aula e a anotar versículos da Bíblia
Segundo decisão do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), a professora, com o conhecimento da direção e da coordenação, realizava orações coletivas durante as atividades escolares. A mãe da criança, que a representou no processo, alegou que a filha sofreu danos psicológicos ao ser alvo de bullying por se recusar a participar da oração. Ela e sua família são candomblecistas.
A desembargadora Maria Laura Tavares, relatora do processo, avaliou que o pedido de indenização era procedente. “O Estado, especialmente a instituição de ensino pública, não deve promover uma determinada religião ou vertente religiosa de forma institucional e não facultativa”, comentou a magistrada na decisão.
Maria Laura ainda completou dizendo que essa atitude pode ocasionar “segregações religiosas, separatismos, discórdias e preconceitos”.
A professora também foi processada pela família, mas, segundo a relatora, o entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) é de que o Estado responde objetivamente pelos danos causados por seus agentes. Segundo a desembargadora, cabe à Administração Pública apurar se houve culpa ou dolo da professora pelos danos causados e, se for o caso, cobrar o devido ressarcimento.
“O desrespeito à liberdade religiosa e a imposição de prática de cunho religioso de forma institucional e obrigatória em instituição de ensino pública violam o direito da personalidade das autoras, notadamente quanto à liberdade de pensamento, identidade pessoal e familiar”, afirmou a desembargadora. [Fonte: Yahoo]

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não quer ser chamada de 'Mórmon'

O presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Russell Nelson, e sua esposa em uma foto de 31 de março de 2018 em Salt Lake City, no estado de Utah
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecida como Igreja Mórmon, não quer mais utilizar o termo "mórmon" para denominar a si mesma e a seus seguidores, de acordo com as novas diretrizes adotadas por esta organização cristã.
Esta religião defende ser chamada por uma das seguintes expressões: "A Igreja", "A Igreja de Jesus Cristo" ou "A Igreja Restaurada de Jesus Cristo", insistindo em que o termo "Igreja Mórmon", embora muito usado, "não é uma designação autorizada".
"Não estamos mudando nenhum nome, estamos corrigindo um nome", disse no sábado Russell Nelson, o presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, citado pelo Deseret News, um jornal mórmon de Utah, estado americano onde os mórmons são maioria.
Os fiéis já não devem, portanto, ser apresentados com o termo "mórmons", mas pela expressão "membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias", acrescentam as diretrizes aprovadas na semana passada.
Fundada em 1830, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reivindica 16 milhões de membros e tem como missão restaurar a verdadeira Igreja em sua pureza primitiva, com o objetivo de preparar o regresso de Cristo.
Baseia-se no "Livro de Mórmon", que leva o nome de um antigo profeta, uma versão "restaurada" da palavra de Jesus, em oposição à versão clássica resultante da "grande apostasia" do cristianismo.[Fonte: Yahoo]

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Relatório aponta 300 'padres predadores' na Pensilvânia - Investigação acusa 300 padres de pedofilia nos EUA, com mais de mil vítimas

Igreja Católica teria acobertado crimes contra mais de mil crianças por décadas


O cardeal Theodore Edgar McCarrick é acusado de ter abusado sexualmente de um adolescente cinco décadas atrás - Alessandro Bianchi / REUTERS/Arquivo/14-02-2013

A Suprema Corte da Pensilvânia divulgou nesta terça-feira (14) um relatório em que acusa mais de 300 "padres predadores" de abuso sexual contra mais de mil menores, em crimes acobertados durante décadas pela Igreja Católica, segundo o procurador geral do estado, Josh Shapiro.



O documento, que tem cerca de 1.400 páginas, detalha 70 anos de conduta indevida de bispos, padres e outros integrantes da igreja. Os investigadores afirmam que pode haver mais vítimas. Dois padres já foram processados como resultado da investigação no estado, onde um em cada quatro habitantes é católico.
A investigação durou 18 meses e foi conduzida por Shapiro em seis das oito dioceses do estado: Harrisburg, Pittsburgh, Allentown, Scranton, Erie e Greensburg. As duas que ficaram de fora, Filadélfia e Altoona-Johnstown, já foram alvo de outras apurações.
"Nós analisamos e revisamos cerca de 500 mil páginas de documentos internos das dioceses. Eles continham alegações críveis contra cerca de 300 padres predadores", afirmou o procurador geral.
"Mais de mil crianças eram identificáveis, a partir dos próprios registros da igreja. Nós acreditamos que o número real de menores, cujos registros foram perdidos ou que tiveram medo de vir a público, esteja nos milhares."
Em um dos casos, um padre teria violentado uma menina num hospital após ela remover suas amídalas. Em outro, um padre teve autorização para continuar no ministério após engravidar uma adolescente de 17 anos, falsificar a assinatura em uma certidão de casamento e, depois, se divorciar da jovem.
Segundo o procurador, o relatório detalha "um acobertamento sistemático por altas autoridades da igreja na Pensilvânia e no Vaticano."
Os investigadores afirmam que os religiosos foram protegidos dentro da estrutura da igreja e, em alguns casos, promovidos. "Até que isso mude, nós achamos que é muito cedo para fechar o livro dos escândalos da Igreja Católica", afirmaram.
Shapiro diz que, por causa do acobertamento, quase todo caso de abuso encontrado é muito antigo para servir como base de um processo.
A divulgação do documento foi adiada após tentativas de membros da igreja de impedir se tornasse público, alegando ser uma violação de seus direitos constitucionais.
Em julho, porém, a Suprema Corte da Pensilvânia ordenou que o resultado da investigação fosse liberado, mas sem alguns nomes e detalhes que pudessem ajudar a identificar os religiosos.
Antes desse, houve mais dez relatórios fruto de investigações nos Estados Unidos, de acordo com o grupo BishopAccountability, de defesa de direitos das vítimas. Mas esses documentos examinavam apenas uma diocese ou um condado.
Ao jornal "The New York Times" o reverendo James Faluszczak, de Erin, afirmou que levou os casos de que tinha conhecimento a dois bispos ao longo de cinco anos, mas foi ignorado e teve as acusações minimizadas. "É essa mesma forma de gerenciar segredos que acobertou os predadores", disse ao jornal.
Nos EUA, não houve uma investigação ampla sobre abuso sexual cometido por membros da Igreja Católica contra menores, como ocorreu na Austrália. No país, uma comissão passou quatro anos analisando crimes perpetrados contra crianças por autoridades de várias religiões e instituições civis.
No mês passado, o cardeal Theodore McCarrick, uma figura proeminente da igreja católica nos EUA e que ocupou o posto de arcebispo em Washington, renunciou após ser acusado de abuso sexual contra menores e adultos por décadas.
No começo de agosto, o bispo de Harrisburg, Ronald Gainer, prometeu retirar os nomes dos bispos acusados de prédios e salas da diocese.
A investigação mais conhecida de abuso sexual por membros da igreja nos EUA foi retratada no filme "Spotlight - Segredos Revelados."
No caso, revelado pelo jornal "The Boston Globe", o cardeal Bernard Law, morto em 2017, foi obrigado a renunciar após ser acusado de acobertar crimes cometidos por padres contra crianças quando ele era arcebispo de Boston. Fonte: BP

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

“Trevas”. Juristas comentam decisão do STF em autorizar o ensino público religioso

Observação do Editor do Blog: Repare no crucifixo exposto no STF ao fundo, indicação de um Estado que ainda não é totalmente laico na prática, como prevê a Constituição Federal do Brasil.

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF), considerou constitucional o ensino público religioso confessional, ou seja, ligado a uma crença específica. Ministros rejeitaram a ação da Procuradoria Geral da República para que as aulas fossem genéricas e abordassem aspectos históricos e sociais das religiões. A partir do julgamento, a matéria confessional pode ser oferecida pelas escolas públicas de forma facultativa.

Votaram pela manutenção do ensino confessional os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, que desempatou o caso.
Os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Marco Aurélio, Celso de Mello votaram contra.
Apesar do placar apertado, a decisão causou espanto na comunidade jurídica. Para quem não entendeu a dimensão do que foi julgado, vale destacar que a corte autorizou que escolas públicas de todo o país instituam para seus alunos e alunas ensino religioso confessional – isto é, com crença religiosa. Logo, um ensino confessional teria oração, costumes e tudo o que está ligada à determinada religião. No Brasil, de imensa maioria cristã, é possível imaginar quais religiões serão professadas.
"O Justificando" conversou com diversos pensadores do Direito e de outras áreas do conhecimento, que rebateram a decisão sob o argumento da violação ao estado laico, das evidentes prioridades reacionárias da corte, e da “ingenuidade” da corte ao estabelecer a ideia de que o ensino será pluralista. As declarações sobre a decisão podem ser lidas abaixo:
Eloísa Machado, Doutora em Direito Constitucional e Coordenadora do curso de Direito da FGV-SP
“A decisão do STF é um grande retrocesso. Toda uma pauta liberal e progressista que vem sofrendo investidas conservadoras no legislativo e no executivo e que ainda aguarda posição do STF fica em suspenso: de código florestal a direito a mudança de registro civil das trans.
Assumir a confessionalidade do ensino, além afetar profundamente a lógica do que deve ser a educação pública, laica e inclusiva, abre espaço para uma infinidade de outros problemas. É inadmissível, por exemplo, que os escassos recursos públicos sustentem a doutrinação religiosa nas escolas. Mas o STF não se pronunciou sobre isso”.
Joice Berth, Feminista negra: 
“Trevas. Essa decisão é mais uma assunção de racismo por parte do nosso sistema judiciário, pois sabemos que não será ensino religioso de maneira abrangente e democrática, será sim um esquema de doutrinação neopentecostal, uma imposição de pensamento evangélico, já que essa é uma bancada que só cresce dentro de todas as estruturas políticas. Lamentável e que os pais estejam atentos a essa agressão fascista à laicidade do estado brasileiro”.
Luis Felipe Miguel, Professor de ciência política na UnB: 
“O ensino religioso no Estado laico é uma excrescência. Se as famílias e as igrejas querem dar educação doutrinal às suas crianças, que o façam em seus próprios espaços. Ao interpretar a regra constitucional como sendo a necessidade de inculcação da “religiosidade”, o Supremo rasga a ideia da neutralidade estatal em relação aos diversos sistemas de crença”.
Márcio Sotelo Felippe, Procurador do Estado de São Paulo: 
“Não temos mais constituição. O STF julga ao sabor de injunções políticas ou para agradar setores da opinião pública. São tempos sombrios, uma reação termidoriana que enterra séculos de conquistas iluministas, de avanços no processo civilizatório. Este é um estado de exceção com sabor de fascismo. A inteligência está morta no Brasil”
Renan Quinalha, Doutor em Direito e Professor na Universidade Federal de São Paulo:
“A decisão do STF faz com que o Estado laico promova, nas escolas públicas, o ensino religioso confessional. Isso é um absurdo, pois se está permitindo que religiões se apropriem do espaço público da escola para propagar sua própria fé. Considerando o contexto atual, isso se torna ainda mais grave. Os discursos de “escola sem partido” e “combate à ideologia de gênero” poderão agora contar com o reforço do ensino religioso confessional nas escolas, minando o que restava de laicidade do Estado no sistema de ensino”.
Alexandre Melo Franco Bahia, Professor Doutor de Direito Constitucional na Universidade Federal de Ouro Preto: 
“A decisão do STF afirmando que o Estado Brasileiro deve custear um Ensino Religioso “Confessional Pluralista” ofende a tantas ordens diferentes do Direito que fica difícil definir por onde começar.
Como um Estado Laico pode atuar de forma Confessional? Em que mundo isso faz sentido? Ainda que a maioria queira dizer que esse ensino deve ser “pluralista”, ou eles são muito “inocentes” – e não sabem do que é o ensino religioso na maioria das escolas públicas do país, ou estão assumindo estarem prontos para receberem centenas de pedidos de Reclamação contra – o que acontece todos os dias e agora só vai piorar – o proselitismo fundamentalista e, claro, nada plural, que é feito em escolas públicas todos os dias”. [Fonte: Yahoo]

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Supremo permite promoção de crenças no ensino religioso em escolas públicas

Seis ministros votaram para o educador ter liberdade de pregar a fé e outros cinco votaram para impedir professores de promoverem crenças.



A FAVORCONTRA
ALEXANDRE DE MORAESLUÍS ROBERTO BARROSO
EDSON FACHINROSA WEBER
DIAS TOFFOLILUIZ FUX
RICARDO LEWANDOWSKIMARCO AURÉLIO MELLO
GILMAR MENDESCELSO DE MELLO
CÁRMEN LÚCIA

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